
Longas conversas com a velha senhora proporcionam uma infinidade de sensações agradáveis. As próprias estórias, a forma divertida de narrá-las, algumas interpretações extremamente datadas e compatíveis com o tempo de vivência e a alegria em vê-la dividir os fatos. Existem momentos em que a memória é traída e, nitidamente, resgatada pela lembrança.
A memória é uma função cognitiva complexa determinante da capacidade de armazenar e evocar informações disponíveis. Um sistema de transmissões químicas e elétricas que proporciona a retenção de dados e o resgate na hora desejada. Já a lembrança é uma forma especial de evocar fatos e recordações, modulada por sentimentos, emoções e estados de ânimo.
Devido a estas sutis diferenças, e na dependência de condições de personalidade e voluntariedade, existem pessoas com memória fabulosa e lembranças limitadas, da mesma forma que outras manifestam lembranças estupendas mesmo em condições desfavoráveis de memorização.
Independente da forma priorizada pelas pessoas, nas suas relações ao longo da vida, as duas têm um grande inimigo – o esquecimento. O aparecimento deste inimigo feroz produz estragos devastadores, com impacto semelhante, impedindo as funcionalidades da memória e a recuperação das lembranças. Cria um vazio insuportável.