domingo, 11 de maio de 2008

Dia das mães.


Hoje é um dia especial, para muitas pessoas. Independente de ser alegre ou não. É o dia das Mães. Como a homenagem não é apenas para aquelas que pariram – senão seria o dia das parideiras, as festividades são mais amplas.

Ser ou estar mãe é um estado de espírito e não uma situação meramente conceitual. Para ser mãe basta querer e se sentir mãe. Nada a ver com questões de procriação. Há mães que nunca ficaram grávidas. Outras que, apesar da manifestação biológica, não desenvolveram esta capacidade. Ficaram em outro patamar. Ser mãe é mais do que posse ou dedicação. É a satisfação de participar do processo criativo, desinteressadamente.

Há homens que são mães. E. com desempenho muito satisfatório. Nada mais saudável do que acrescentar ao perfil masculino uma pitada de maternidade. Engrandece, enobrece e estimula. O mistério dos 3 Es não deve ser um privilégio feminino. A humanidade deveria fomentar o sentimento maternal. Estaríamos bem melhor.

Parabéns a todos pelo Dia das Mães.

sábado, 10 de maio de 2008

Alento para as gulosas?

Apesar da presença de gordura subcutânea, logo abaixo da pele das nádegas, reduzir o risco de diabetes tipo 2, segundo estudo recentemente publicado por especialistas da Harvard Medical School, tenho certeza que a parte meramente estética falará mais alto. E, milhares de beneficiadas procurarão os cirurgiões plásticos para eliminar esta fonte de proteção.

Até agora o sucesso das experiências, em ratos, mostra que a gordura subcutânea tem um efeito protetor nos níveis de açúcar e melhora a resposta à insulina. O que, francamente, não quer dizer muita coisa para uma jovem senhora que se encontre com visual semelhante ao de uma musa do Botero. O que vale mais – uma coisa boa contra o diabetes ou um corpinho de modelo?

Não se pode esquecer que o estudo não demonstrou qualquer prejuízo com a ausência de gordura. Deste modo, gulosas de plantão acautelai-vos! O Ministério da Saúde adverte – a gordura subcutânea nas nádegas pode causar danos. Psicológicos ou no bolso. Não se deve esquecer que tudo na vida tem o seu lado negativo, promessa de pessimista.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Antiguidades.

Qual o tempo que um objeto precisa para se tornar uma antiguidade? E aumentar o seu valor? Saibam os maldosos de plantão que não tenho nenhum interesse pessoal na questão. Mesmo porque é sabido que os objetos sexuais perdem o seu valor com o passar do tempo. Então, pessoalmente, me lixo para o tempo. Ele que passe como quiser.

Voltando ao problema inicial. Assim como os seres vivos, os objetos também têm o seu ciclo de vida. Exceto aqueles consumidos integralmente em um determinado momento ou com durabilidade limitada. A data de validade é determinante. Bem, os outros cacarecos sofrem de uma transformação estupenda quando chegam ao limite da passagem de idade – de velharia a antiguidade.

Tenho uma travessa Goyana azul cobalto que me acompanha deste Porto Alegre. Do ponto de vista estético ela é muito feia. Vale pela sua utilidade – saladeira, guarda-sobras, tigela de mantimentos e várias outras funções. Apesar da funcionalidade e do vínculo afetivo o seu valor não passa de míseros reais. A não ser que o tempo decorrido a classifique como antiguidade.

Acho que vou procurar um antiquário e fazer uma avaliação da travessa. Posso ter uma surpresa e custear a minha próxima temporada parisiense com o fruto da transação. Isso se tiver coragem de me desfazer desta verdadeira relíquia. Só de pensar me vem água aos olhos. Pensando bem acho que a casa merece uma antiguidade a mais. Afinal, já tem algumas velharias permanentes, mesmo. Mais uma menos uma, que mal faz.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Pessoas e laços.


Eu gosto das pessoas. Assim sem compromisso ou relacionamento afetivo. Em caráter plural e singular. Com isto gosto da humanidade do mesmo modo com que gosto da vendedora de flores da esquina ou do motorista de táxi ou da velha que atravessa a rua. Dos que são amigos e dos que ainda não se tornaram.

Alegra-me encontrar pessoas, sorrir para elas. Cumprimentá-las e olhar dentro dos seus olhos. Sem tentar me apoderar das suas mentes ou com interesses secundários nos seus corpos. Gosto de apreciar o que elas têm de bonito e descobrir as partes feias. O encantamento é semelhante, visto que desinteressado o feio traz euforia tanto como o belo.

Gosto da vida das pessoas. Do passado, do presente e do futuro delas. E, principalmente gosto de saber sobre estes tempos. Poderia passar horas a escutá-las, em silêncio. Ou quase isso. Quem me conhece sabe que eu adoro um comentário, aparte, adendo ou retruque. Sem falar nas simples perguntas de estímulo, que ao final são estimulantes para mim.

Gosto até das pessoas que não gostam delas mesmas. Com maior relutância, mas com interesse semelhante. Vale a pena gostar das pessoas. Com equilíbrio e com gosto espontâneo e verdadeiro. E, assim vamos criando laços.

sábado, 3 de maio de 2008

Bem-aventuranças (2).


Bem-aventuradas aquelas que conseguem fazer um crumble de maçã, sem ligar para Laila, pois elas alcançarão a misericórdia.

Bem-aventuranças (1).


Bem-aventurados os que têm apenas lata de arenque ao molho de páprica picante na despensa, porque eles serão saciados.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

O que diz o vento.

A vida inteira quisera saber o que o vento dizia. A natureza lhe havia privado deste dom. O som era completamente vazio, para ela. Do vento, apenas uma brisa era sentida. E a manutenção da sensação tátil não lhe servia de consolo. Na verdade era uma forma ingrata de lhe mostrar a outra limitação. Imaginava, sonhava, mas não ouvia.

O amor trouxe a remissão na pessoa do outro. Acaso não era só isso o amor. A realização da pessoa, no outro. Os desejos transferidos e, por isso, realizados. O gosto e o desgosto compartilhados. Por ele soube como eram os sussurros, os cantos, as reticências e os poemas que só o vento sabe trazer. De onde, ninguém nunca soube. Mesmo assim não era real. Não era o seu vento.

Agora, já no apagar das luzes, ela escrevia as últimas vontades. Na verdade a última. Uma única só. Que as suas cinzas fossem jogadas ao vento, num dia de tormenta. Talvez, assim, liberta das limitações naturais, possa, finalmente, ouvir o vento. E esperar, ardentemente, que o seu vento não seja mudo.