quinta-feira, 1 de maio de 2008

Eu não engoli a dica.

A modernidade é uma das coisas mais fascinantes dos dias atuais. Hoje é possível reservar ingressos para os principais acontecimentos mundiais com apenas alguns cliques. Com boa vontade e interesse se descobre fatos da vida de qualquer pessoa, desde que ela seja famosa. Às vezes, mesmo sem buscas intensivas, depara-se com terapias alternativas para solidão, aplicáveis, em princípio, à jogadores de futebol. Enfim, o mundo está ao alcance dos nossos dedos.

Como sou um curioso por natureza, sempre fico atento às dicas dos amigos. Com este espírito e com uma ansiedade quase infantil busquei refúgio num site indicado pela Chrises – o cookthink.com. A promessa era de que bastava inserir nomes de ingredientes ou alguma inspiração de cozinha ou mesmo um estado de humor e as sugestões apareceriam como num passe de mágica. Enfeitadas por fotos deslumbrantes. Acho que exagerei um pouco, as fotos seriam lindas.

Nesta amanhã cinzenta do feriado trabalhista, com a geladeira abarrotada de víveres a serem aproveitados, resgatei a indicação e lá fui. Quanta desilusão. Não sei se foi por incompetência, mas não consegui absolutamente nada. E olha que segui às instruções, direitinho. O site é bem amigável. Na aparência. No fundo é um anglólatra, desmedidamente egocêntrico.

Primeiro tentei com os ingredientes. Digitei carne de sol + macaxeira + pupunha. Ele me retornou flourless chocolate cake. Confesso que não consegui encontrar nenhum dos meus ingredientes na receita apresentada. Imediatamente pensei – sua besta estes ingredientes são de cozinha regional. Tente algo mais internacional. Mesmo sem ter uma Madonna na geladeira. Recordando da receita compartilhada com o catalão inclui cajá + tartaruga. Apesar do retorno de uma receita indicada como do Brasil, não obtive o que desejava.

Será que estava fazendo algo errado? Passei para os dishes. Tentei coisas simples, como frigideira de pitu, e sofisticadas como taiollete de paca rubra. Sem resultados. Já um pouco desestimulado procurei apelar para os estados de humor. Tentei sucessivamente ciclotimia, dispareunia, transtornos dissociativos, hiperfagia, bulimia. Nada. Confesso que nem pesquisei transtornos comportamentais devidos ao uso de solventes voláteis.

Depois de várias tentativas fui me dar conta – será que o desempenho dele seria melhor com o uso de termos na língua inglesa? Porém o encanto já havia desaparecido. Talvez em outro feriado.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Novidades interessantes.

Passeando hoje pela internet deparei com diversas situações interessantes. Desde baixarias ronaldianas, indicação do Brasil no grau de investimentos e, principalmente os blogs de amigos. Um local, em especial, me chamou atenção pela qualidade do texto. Se você quiser conferir, clique aqui.

Desafio dos sonhos.

Ao contrário de alguns seres que não sonham ou não se recordam deles eu sou onírico por natureza. Movido a sonhos, mesmo. Por isso o prazer de responder ao desafio da Querubina.

1. Sonho com um corpinho... só se virasse dois, daí sim dois corpinhos;

2. Sonho com uma viagem... que dure para sempre;

3. Sonho com um príncipe... verdadeiro que tenha uma irmã, muito rica, de meia idade e interessada em médico sul-americano para fim de matrimônio, tô feito;

4. Sonho com uma família... ou a continuidade, agora netos e bisnetos;

5. Sonho com uma festa... um garden-party bem chique com seleção de mesas e arranjos by Chrises;

6. Sonho com uma grana... pode ser pouca coisa, só para bancar os meus luxos;

7. Sonho em fazer amor... sonho cada vez mais;

8. Sonho com um Portugal... só com pessoas agradáveis como as que conheci na blogosfera;

9. Sonho em ajudar... o Alckmin a se tornar prefeito, sem mim ela não vai conseguir;

10. O sonho mais maluco que já tive... sonhei com um mundo sem guerras.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Trava-línguas.

Tarde de aula. Quase duas horas de fala ininterrupta. Apesar da fluência e treino da dicção, ao final, algumas palavras saem com certa dificuldade. Nesta hora vale apelar para algum trava-língua conhecido e, se conseguir findar a tarefa, seguir adiante.

Vocês lembram de trava-línguas?

O trava-línguas é um conjunto de palavras, formando uma sentença com dificuldade de articulação devido à presença de sons que exijam movimentos seguidos da língua. São uma boa forma de diversão e disputa entre amigos. Quando pronunciados de forma rápida e repetida (pelo menso três vezes) casusam situações embaraçosas, provocando risos.

Podem ser formados por diversas repetições fonéticas, mas as mais características e freqüentes incluem as combinações tre, ti, pre, pe e outras. Para diversão dos amigos indico alguns trava-línguas folclóricos. Tentem o exercício completo – rapidez e repetição.


o mameluco melancólico meditava e a megera megalocéfala, macabra e maquiavélica mastigava mostarda na maloca miasmática.

atrás da pia tem um prato, um pinto e um gato. Pinga a pia, apara o prato, pia o pinto e mia o gato.

o peito do pé de Pedro é preto. Quem disser que não é preto o peito do pé de Pedro, tem o peito do pé mais preto do que o peito do pé de Pedro.

Quico quer caqui. Que caqui que o Quico quer? O Quico quer qualquer caqui.

o rato roer roía e, a Rosa Rita Ramalho, do rato a roer se ria!

esta burra torta trota. Trota, trota, a burra torta. Trinca a murta, a murta brota. Brota a murta ao pé da porta.

a aglomeração na gleba glacial glosava a inglesa glamourosa que glissava com o gladiador glutão.

a hidra, a driáde, e o dragão, ladrões do dromedário do druida foram apedrejados.


Se estes não trouxeram a diversão desejada, utilizem os meus preferidos:

cozinheiro cochichou que havia cozido chuchu chocho num tacho sujo.

chega de cheiro de cera suja.

sábado, 26 de abril de 2008

Reclame + ação = Reclamação.




Já sem armas para convencer um amigo desaparecido a, pelo menos, participar como comentarista – função muito nobre que me apresentou à blogosfera – tento a sedução profissional. Talvez raízes propagandísticas falem mais alto e despertem o moço.

Fora este motivo prosaico, a postagem da peça acima se deve ao seu primor ou, parodiando a cara-metade do ausente... à sua delicadeza. Algumas passagens são encantadoras:

a informação de que a margarina está agora também em pote plástico - os moderninhos têm a mínima noção de qual era a outra apresentação?

a entonação da narrativa da escola técnica lembra o padrão radiofônico da época que igualava desde partidas de futebol até concursos de miss, a imagem era um mero detalhe;

a paixão pelos polímeros sintéticos era tanta nesta época que até o Rei do Futebol foi abduzido a fazer reclame de uma bola plástica, alguém se recorda do slogan da ATMA ou do que era a empresa?

você ficaria seduzido por um automóvel com suspensão aero-estável e vedação completa do motor, ainda mais fabricado pela Willys Overland do Brasil? Este era o Renault Dauphine, com design moderníssimo e onde as pessoas elegantes passeavam em roupas sociais;

atentem para a instrução de como dissolver o sabão Andy e o salto do calçado que a senhora está usando para limpar o banheiro. Dois outros detalhes: as crianças devem ter sujado muito o banheiro pela diferença de cor entre as partes suja e limpa ao final do comercial e que torneira elegante para um banheiro social;

agora o anúncio do talco Gessy é o mais característico – a apresentação da dona de casa após a manhã trabalhosa e cheia de afazeres com o coque rosca impecável, o salto do calçado próprio para tarefas domésticas, o avental, a mesa auxiliar (um pouco em desuso nos dias de hoje) e, finalmente, a satisfação íntima proporcionada pelo envolvimento do corpo com a refrescância do delicado talco em questão.

Ideal para ser apreciado no final de uma tarde envolvente, como a de hoje.

Aproveitem bem!

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Aviso aos navegantes.

Os amigos já devem ter percebido que o audaz escrevinhador deste espaço teve uma baita crise literária. Todos os motivos foram amplamente tratados com o analista e não farão parte do escopo de queixas e lamentos. Apenas um merece ser dividido – a falta de temática.

Neste período lúgubre e pesaroso passei por diversas fases. Na primeira, enveredei por soluções externas, pela busca incessante de personagens inspiradores. Como um Pirandello na menos um, o pretenso autor invadia os espaços alheios em busca deles. O mínimo aceitável, para manter o patamar da teatralidade, seriam seis. Um autor à procura de seis personagens – a completa reversão dos papéis. O fundo do poço literário. Permitir a dominação da ficção pelo real. A desconstrução racional do pragmatismo. Para, para! Chega de palavras bonitas e vamos para outra fase.

Depois, completamente vazio de inspiração e com a mente em outras paragens tive de optar por um tratamento de choque. Um verdadeiro joelhaço no âmago criativo. Despi-me do manto sagrado de autor consagrado e apenas com tonel e lanterna parti em busca do desejado. Nem pensar em procurar homens virtuosos, pois se eles já eram raros na época de Diógenes imaginem nos dias de hoje. E ainda mais no nosso país. Só faltava procurá-los na capital. Daí sim passaria o resto dos meus dias no tonel, isso se ele e a lanterna não fossem envolvidos em alguma falcatrua das boas. Resumindo, não encontrei temática e nem homem virtuoso. Restava-me a desilusão do recomeçar.

Antes de partir para uma nova fria, reconheci que as soluções externas ou internas não deram resultado. Estaria eu definitivamente fadado a ser um blogueiro secundário, nesta constelação de astros de primeira grandeza? Um mero destematizado? Como sair desta enrascada? Valeria à pena a invocação dos astros ou apelos celestiais?

Nada disso a solução estava bem ali, debaixo do meu nariz. Invoco a primeira emenda da Constituição Americana para permanecer sem temática. Lá está, com todas as letras e palavras, o impedimento legal para a limitação da liberdade de expressão. E, na minha sábia interpretação a escolha de uma temática nada mais é que uma reles forma de cercear este direito natural.

Abaixo a escolha temática!

Bem, este lero-lero é uma forma delicada (que bela palavra) de informar aos afortunados amigos e leitores que a condição de falta de diretriz permanecerá. Pelo menos até decisões em contrário (leia-se nova crise).

Não custa nada ocultar a falta de foco sob a égide da liberdade criativa.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Isto que é um blog sortudo!

Algumas vezes recebemos prêmios, ou mimos, ou o nome que lhes seja dado e nos satisfazemos com a dedicação e amizade que eles traduzem. Mas sem uma reflexão sobre o que está por trás desta ação.

Hoje recebi mais que um prêmio, um motivo para reflexão.
Porque será que o meu blog é sortudo?

Com certeza não é pela linha editorial escolhida para o pobrezinho. Ou talvez seja. Afinal pode ser uma sorte não ter uma diretriz. Assim posso escrever sobre tudo, todos e qualquer coisa. E sobre nada também.

Pelos meus lindos olhos verdes, também não deve ser. Apesar de serem verdes e lindos eles não são a razão pela qual o blog é amplamente apreciado. Já sei, deve ser pela modéstia do escrevente. Ela é contaminante.

Quem sabe não seria pela hercúlea força de vontade de afastar o infortúnio e manter os reveses o mais longe possível? Tarefa nada fácil, mas muito gratificante. Ver o lado positivo das coisas. Acho que já escrevi sobre isto? Também não, isto seria justificar a sorte pela ausência de azar e não é bem isto.

Ora, ora é claro! O blog é sortudo pelo bom astral que ele captura dos amigos e visitantes. A sorte esta em compartilhar as brincadeiras e repentes com alguns, aprender as lições de vida saudável, explorar uns, renascer com a benção de vida de outros, ser embalado pelas melodias daquele, refletir com as poesias de outros mares, brilhar com luzes angelicais, respeitar ausências dos ausentes, sofrer com dúvidas maternais ou docemente existenciais e enfim, vibrar com todos. Este é o segredo da sorte do blog.

Sorte só do blog?

No fundo eu é que sou sortudo – por ter este local especial para relacionamentos tão especiais.
Isso mesmo, eu sou a parte sortuda do blog.
Ele continua apenas um blog.